Informativo Fenacam

Mercado fechado para os ‘de fora’

Os criadores de camarão pediram e receberam a garantia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) de que, pelo menos neste governo, o mercado interno brasileiro se manterá fechado ao camarão produzido em outros países, uma estratégia para evitar a entrada de doenças nos viveiros. A garantia foi dada há cerca de duas semanas, em reunião com a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC). Há aproximadamente 11 anos, as importações do crustáceo estão proibidas em território brasileiro.

Segundo o presidente da ABCC, Itamar Rocha, carcinicultores do Equador estariam, no entanto, se capacitando para furar esse bloqueio. “Várias empresas se candidataram para vender ao Brasil, mas mostramos ao Ministério que a ameaça que existia em 1999 nesse país, que é a doença da mancha branca, continua existindo hoje. Não podemos aceitar que as importações sejam liberadas e que a carcinicultura nacional seja desestabilizada, num momento em que está recuperando a competitividade e anunciando um novo ciclo de retomada de crescimento”, frisa Itamar Rocha, acrescentando que recebeu o apoio do senador Garibaldi Alves Filho e do deputado federal Henrique Eduardo Alves para dissipar o risco, junto ao Mapa.

Sanidade

A preocupação dos carcinicultores com a questão da sanidade tem razão de ser. Algumas doenças ajudaram a empurrar os viveiros do país e do Rio Grande do Norte, que é o maior produtor nacional do produto, para uma de suas piores crises, entre 2004 e 2005. De acordo com o presidente da ABCC, o Nordeste, que concentra 99% do camarão cultivado no Brasil, está livre de doenças e não quer “nem pensar” em ter esse risco de volta. O Brasil conta hoje com 1.380 produtores de camarão em cativeiro, sendo que 40% deles estão no Rio Grande do Norte. A ABCC estima que serão produzidas 75 mil toneladas em 2010, sendo 95% dessa produção voltada para o mercado interno. Só o RN deverá produzir 30 mil toneladas este ano.

Fenacam

A necessidade de boas práticas de manejo para garantir a saúde dos animais nos viveiros será um dos pontos em destaque na VII Fenacam, o maior evento do setor no Brasil, que será realizado a partir de segunda-feira, dia 7, até o dia 10, no Centro de Convenções de Natal. Durante o evento, serão realizados a VII Feira Internacional de Serviços e Produtos para Aquicultura, o VII Simpósio Internacional de Carcinicultura, o IV Simpósio Internacional de Aquicultura e o VII Festival Gastronômico de Frutos do Mar. (Confira a programação dos primeiros dias, no quadro).

Com o tema “Aquicultura: a alternativa para o aumento da produção de pescado no Brasil”, o evento exigiu investimento entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão. Segundo os organizadores, a Feira terá 130 estandes, 24 palestrantes nacionais e internacionais e será palco para a apresentação de 100 trabalhos técnicos científicos. A expectativa é atrair cerca de 10 mil pessoas e reunir 800 participantes só na parte científica dos simpósios. A expectativa é que haja adesão não só de produtores do Rio Grande do Norte, mas também de outros como o Ceará, que se destacam na produção e nas exportações.

O Festival de Frutos do Mar é aberto ao público e começa na terça-feira, 8 de junho. Com o tema Copa do Mundo, os pratos terão nomes de jogadores da Seleção Brasileira.

Tribuna do Norte - Economia - 05/06/2010


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