

A produção de camarão do Rio Grande do Norte poderá alcançar 27 mil toneladas este ano, com
crescimento de 17,39% sobre o volume produzido em 2009. A expansão é necessária para atender a
ascendente demanda do mercado interno e evitar que uma possível escassez abra caminho à oferta de
outros países. “Se não aumentarmos a produção não vamos conseguir segurar a barreira às
importações”, disse ontem o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC),
Itamar Rocha.
O mercado nacional está fechado à produção de países como Vietnã e Equador e é hoje o principal
consumidor dos carcinicultores brasileiros. O objetivo da barreira é evitar a entrada de doenças que
empurraram os viveiros para uma de suas piores crises, entre 2004 e 2005. Mas, se a oferta nacional
não aumentar, recorrer às importações pode ser inevitável e trazer prejuízos. “O problema é que
outros países têm custos de produção mais baixos. Não teríamos condições de competir em pé de
igualdade”, avalia o presidente da Associação Norte-Riograndense de Criadores de Camarão, Newton
Bacurau.
No ano passado, somente o Rio Grande do Norte produziu entre 22 mil e 23 mil toneladas do produto.
O estado é líder em produção e detém mais de 80% das exportações realizadas pelo país. A
expectativa é que expansão do volume de produção ocorra mesmo com o encerramento das
operações da Fazenda Peixe Boi, a maior produtora de camarão do estado. A unidade, controlada pela
Camanor, foi vendida a uma indústria salineira, no ano passado, e terá os viveiros desativados em
junho deste ano. A desvalorização do dólar foi apontada como a principal razão da empresa para se
desfazer do negócio.
Mas, como forma de evitar um baque no mercado, os demais produtores estariam se recuperando
financeiramente - após os prejuízos que sofreram com as enchentes em 2008 e 2009 - para aumentar
a densidade nos viveiros. “Os produtores têm a obrigação de aumentar a produção. Não podemos
deixar o mercado desabastecido justo agora, que o Brasil está consumindo”, reforçou Rocha.
Exportações
O enfraquecimento do dólar, diante do real, reduziu a rentabilidade dos exportadores e fez com
invertessem a equação de vendas. Se antes 90% da produção era negociada com outros países, hoje,
é esse o volume que fica no mercado interno. O que favorece a comercialização dentro do Brasil é a
queda no preço do produto. O quilo, que chegou a ser vendido por R$ 20, em 2003, agora pode ser
comprado por algo em torno de R$ 8. “O produtor está vendendo a preço de banana”, comentou
Rocha, frisando que o setor também quer, no entanto, recobrar o fôlego das exportações e, para
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Data: Sábado, 29 de maio de 2010
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Atualizado às: 15h20
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tanto, vai precisar de “compensações” do governo.
Além dos créditos da Lei Kandir, que isenta o exportador do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS), o setor quer isenção de PIS e Cofins para venda de produtos e compra de insumos. A
ABCC também deverá cobrar judicialmente o fim da ação anti-dumping dos Estados Unidos sobre as
exportações, prática que inviabilizou as vendas para o país.
“O Brasil detinha a liderança das exportações para o mercado norte-americano, com participação de
25%, mas agora está limitado ao mercado europeu, que encolheu, pressionado pela desvalorização do
dólar”, observou o presidente da ABCC.
No Rio Grande do Norte, o setor é isento de ICMS desde 2005 na operações de comercialização no
país, de acordo com o sub-secretário de Pesca e Aquicultura, Antônio-Alberto Cortez.
Fenacam será palco de debate para alternativas
As perspectivas e os riscos que preocupam a carcinicultura foram apresentados ontem, no
lançamento da 7ª Fenacam, principal feira nacional do setor. O evento será realizado entre
7 e 10 de junho, no Centro de Convenções de Natal, com o tema “Aquicultura: a
alternativa para o aumento da produção de pescado no Brasil”. O investimento é de R$
700 mil. Segundo os organizadores, a Fenacam – Feira Nacional do Camarão, terá 130
estandes, 24 palestrantes nacionais e internacionais e será palco para a apresentação de
100 trabalhos técnicos científicos. A expectativa é atrair cerca de 10 mil pessoas e reunir
800 participantes só na parte científica dos simpósios. A expectativa é que haja adesão
não só de produtores do Rio Grande do Norte, mas também de outros como o Ceará, que
se destacam na produção e nas exportações.
Paralelamente à feira, serão realizados o 7º Simpósio Internacional de Carcinicultura, o 4º
Simpósio Internacional de Aquicultura e o 7º Festival Gastronômico de frutos do mar.
Com infomações Tribuna do Norte - RN
